O funeral do Português: até quando a ignorância será aprovada nas escolas?
Professores exaustos e alunos indiferentes
Você acha que é possível viver em um país em que as pessoas não sabem usar a própria língua?
E não saber usar significa não falar e nem escrever corretamente…
Estamos falando de Brasil, quando foi anunciado que dos três milhões e cem mil jovens que fizeram o Enem, apenas 12 tiraram nota máxima em redação.
E destes 12, só um vem de escola pública.
Aí é de se perguntar: qual será o futuro da Língua Portuguesa no nosso próprio país?
Qual será o futuro dos professores da matéria, que estão enfastiados de tentar ensinar e o aluno não querer aprender?
Você acha que alguém que não tem o hábito da leitura consegue escrever um texto e comunicar-se?
E para que as pessoas querem tanto aprender outra língua, se não dominam a do seu próprio país?
E com o advento da Inteligência Artificial (IA), alguém irá se preocupar em aprender daqui para frente?
São tantas as indagações e indignações, que torna-se difícil encontrar respostas.
Porém, o que se observa atualmente é que não há qualquer preocupação em falar e escrever corretamente, tanto que até donos de sites, que se intitulam “jornalistas”, assassinam a Língua Portuguesa diariamente com uma escrita precária e repleta de erros crassos, em que muitos leitores desavisados também não estão preocupados em analisar o que está certo ou errado.
Para começar, não há credibilidade em textos escritos errados e descomprometidos com a Língua Portuguesa.
Erros ortográficos até podem passar, mas erros de concordância (que é o que mais vemos) torna-se inadmissível…
Dessa maneira, dói ver para onde caminham as nossas comunicações e a nossa Língua Portuguesa.
Dói ver que as escolas estão mais preocupadas em torturar professores com relatórios diários, para escancarar ao mundo que o Brasil é um país evoluído culturalmente, do que ver se o aluno realmente domina o conteúdo para passar de ano.
Aliás, as escolas têm sido um engodo, quando praticamente obrigam o professor a aprovar todos os alunos indistintamente, se sabem ou não a matéria.
É um crime contra a Educação e que vai custar muito caro mais tarde.
Desta vez o Enem escancarou uma verdade que ninguém aceita e gosta de ver: o país está uma vergonha em termos de educação.
É comida à exaustão para o aluno, é programa “pé de meia” para o aluno ir à escola e o governo gabar-se de que não há evasão escolar, é material gratuito, é isto, é aquilo, para no final o aluno sair literalmente vitorioso e sem saber nada, por não poder ser reprovado…
Que país é esse?
Que equipe de orientação é essa da Secretaria de Estado, que fala amém a tudo que está errado, não se comprometendo com o que é correto?
Quem realmente é honesto tem que ter compromisso com o futuro.
Não é à toa que dizem lá fora que o Brasil é um país de faz de conta…
(Paulina Zampar - Professora de Língua Portuguesa e Jornalista)










