Proposta de transformar Cemig em corporação fica para 2024, afirma líder de Zema na Assembleia

Proposta de transformar Cemig em corporação fica para 2024, afirma líder de Zema na Assembleia
Proposta de transformar Cemig em corporação fica para 2024, afirma líder de Zema na Assembleia
O líder do governo Zema na Assembleia Legislativa, deputado João Magalhães (MDB), afirmou na terça-feira, 31, que a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que pode transformar a Cemig em corporação deve ocorrer somente em 2024. De acordo com o parlamentar, a prioridade no momento é aprovar o plano de recuperação fiscal para Minas, processo que deve ser finalizado no Legislativo até 20 de dezembro.
 
Em 17 de outubro, o governo propôs aos deputados a transformação da Cemig em corporação. Com isso, mesmo que siga como acionista principal da empresa, abdicaria do controle dela. No modelo atual, 51% das ações da companhia com direito a voto estão nas mãos do Estado, percentual que passará para 17%, na prática, caso a mudança para corporação seja implementada. 
 
Em defesa da proposta, o governo diz que o preço da energia para o consumidor não será alterado, já que a definição da tarifa cabe à agência de regulação, a Aneel, e que seguirá recebendo os dividendos da Cemig, podendo usá-los, por exemplo, para a melhoria das estradas. Afirma ainda que a administração da companhia seguirá em Belo Horizonte, com uma gestão mais profissional, transparente e comprometida com os resultados. 
 
Além disso, o governo Zema diz acreditar que a modernização permitirá à Cemig continuar com 100% do controle de usinas. Isso seria importante porque a concessão federal da Usina de Sá Carvalho, em Antônio Dias, vence em 2026. No ano seguinte, as concessões das Usinas de Emborcação, em Araguari, e Nova Ponte, no município de mesmo nome, também vão expirar. Juntas, elas representam 58% da capacidade de geração de energia da companhia. Segundo o Estado, pela regra federal, por ser uma estatal, a Cemig não poderia renovar a concessão das usinas.
 
O que é uma corporação?
Atualmente, a Cemig possui duas classes de ações: as ordinárias, que têm direito a voto, e as preferenciais, sem direito a voto, mas com preferência no recebimento de dividendos. No momento, 1/3 do total de ações da Cemig são ordinárias e 2/3 das ações são preferenciais. O Estado possui 50,97% das ações ordinárias e nenhuma ação preferencial. Assim, detém hoje 17,04% do total de ações da Cemig e mantém o controle da empresa, já que tem maioria das ações ordinárias.
 
Segundo o economista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), professor Ricardo Ruiz, a principal característica de uma corporação é a falta de um controlador definido. No modelo proposto, o Estado passaria apenas a ser o acionista principal com o poder de veto (Golden Share). 
 
“O governo Zema vai colocar um tipo de privatização que não é exatamente vender a propriedade do Estado. Ele vai converter ações preferenciais em ordinárias. Quando ele elimina a diferença entre os tipos, tornando todas iguais, o Estado não mais comanda a Cemig, passando a ter apenas 17%. Nesse caso, o controle passaria para os acionistas que formassem maioria na assembleia (50% +1). Ali teriam fundos de investimentos, de pensão, bancos e pessoas físicas”, afirma.
 
Sobre a golden share (poder de veto), o economista explica que é um tipo de ação com o poder de vetar propostas. “Se o Estado falar "não", aquele evento não acontece na Cemig. Mas ele pode falar "não" para o quê? Geralmente, está ligado a algumas coisas. Poderia falar "não", por exemplo, para a mudança da sede da empresa. Também poderia vetar mudanças que descaracterizassem a empresa ", detalha.
 
No entanto, Ricardo afirma que a falta de informações sobre qual seria o domínio desse poder de veto cria incertezas sobre o que ocorreria com a empresa no futuro. “A golden share tem poderes limitados. Não se sabe ainda o que seria atribuído a ela. No caso da Vale, por exemplo, é definido que a empresa não pode sair do Brasil, não pode mudar a sede ou o ramo de atividade. Então, por enquanto, dada a falta de informações no caso da Cemig, ela é uma grande incógnita”, afirma.
 
O economista acredita que o tema precisa ser exaustivamente debatido com o governo na Assembleia e com a população, pois é de grande importância o conhecimento dos rumos de uma empresa tão importante. 
 
Oposição contesta proposta
Em nota, o líder da oposição na Assembleia Legislativa (ALMG), deputado Ulisses Gomes (PT), contesta a proposta do governo e diz que a transformação em corporação seria uma forma de "camuflar" a privatização da companhia . Leia a nota na íntegra:
 
“Zema mente mais uma vez. Agora apresenta uma palavra "bonita" para enganar a população ao tentar convencê-la de que não vai privatizar a energia do povo mineiro.
Mas o que ele quer mesmo é vender a Cemig, uma empresa que dá lucro, e deixar a conta de luz mais cara. Zema insiste na política de precarizar o serviço público e só muda o nome para ludibriar a população.
 
O que é isso se não colocar o patrimônio do povo mineiro nas mãos de acionistas bilionários, que só pensam em aumentar seus lucros?” (Hoje em Dia)