Guaxupé, segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
Cultura

Depois de expor carro de F1 em Interlagos, escultor guaxupeano vai priorizar o mercado internacional

quinta-feira, 25 de novembro de 2021
Depois de expor carro de F1 em Interlagos, escultor guaxupeano vai priorizar o mercado internacional Na garagem da galeria de Campinas, Zé Vasconcelos entre grandes esculturas e o carro de F1 (Fotos: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Um carro de F1, totalmente produzido com peças de metal reciclado, continua sendo destaque em Interlagos desde o último GP de São Paulo. O escultor guaxupeano Zé Vasconcelos produziu o carro em 2014, inspirado num modelo Mercedes-Benz. Na época, o projeto de exposição no GP Brasil não despertou interesse nos organizadores do evento. A sustentabilidade não era tão determinante quanto hoje é na F1.
Em 2021, o carro reciclado de aço inox foi exposto em Interlagos, com direito a local nobre e um painel oferecido pela organização. No dia do GP de São Paulo, grande parte do público fez até fila para tirar foto ao lado desse novo F1. O carro continua exposto para comercialização.
Foi a escultura produzida por Zé Vasconcelos que teve maior visibilidade até hoje. E ainda poderá ter retorno rápido. Somente na TV Globo, ele já foi entrevistado por Jô Soares, passou pelo Encontro com Fátima Bernardes, criou um orelhão para um Big Brother Brasil e teve a escultura de um jaguar na novela global A Regra do Jogo
Se o carro for vendido, Zé Vasconcelos pretende criar outro F1, num modelo mais atual. Ele também poderá atender algum pedido específico de cliente. Se o F1 não for comercializado até o início da Fórmula 1 de 2022, os projetos são mais grandiosos. O carro, com associação ambiental, poderá pegar na carona na mudança de imagem dos grandes pilotos.
Sete vezes campeão, Lewis Hamilton defende a alimentação saudável, a luta contra o racismo e homofobia, entre outras causas atuais da humanidade. O tetracampeão Sebastian Vettel é um ativista da sustentabilidade. O bicampeão mundial Fernando Alonso investe na forma física saudável e longevidade.
O escultor poderá ir longe com esse carro, que foi produzido com o objetivo inicial de diversificar as suas esculturas. Outro objetivo foi homenagear todos os pilotos de F1, incluindo Airton Senna, que não competia pela Mercedes, mas a bandeira brasileira na mão do piloto esculpido remete ao campeão.
 
Do giz escolar à galeria
Guaxupeano e autodidata, José Carlos Vasconcelos começou aos 14 anos a fazer esculturas de madeira e de giz escolar. Já produziu arte sacra. Ganhou alguns prêmios artísticos antes de se mudar para Campinas, onde mora atualmente. Com o tempo, partiu para a escultura de argila e expôs peças por algum tempo em uma feira campineira.
Em 2004, ele criou a primeira escultura em metal e aderiu à reciclagem de peças. Na sequência, ficou um ano em Paris para estudar anatomia com influências artísticas. Começou então a criar grandes peças que levam, em média, uns sete meses de trabalho. Priorizou esculturas de cavalo.
Em 2012, para o centenário de Guaxupé, este filho da terra criou uma escultura centenária para o Parque Mogiana. É bem diferente da entrada da cidade mineira de Entre Rios, que a prefeitura local encomendou um cavalo da raça campolina, de quatro metros de altura. Zé Vasconcelos tem participado de editais de prefeituras em alguns estados brasileiros. Para Guaxupé, ele já tem outro projeto pronto. Só precisa ser avaliado e aprovado.
Com a expansão de trabalhos, o escultor construiu uma galeria em Campinas, ao lado do seu ateliê. O espaço cultural reúne réplicas de trabalhos criados até hoje. É uma linha do tempo dos 34 anos dedicados à escultura. Numa garagem anexa, ficam as grandes peças, como o carro de F1. As visitas na galeria são agendadas. Em Guaxupé, onde o artista mantém sua base familiar, também é possível agendar visita para conhecer o ateliê do artista, nas datas em que ele estiver na sua terra natal.
“Eu tenho muitas esculturas instaladas em propriedades particulares”, diz o artista, que também cita uma expressiva peça num shopping do Rio do Janeiro. Por onde passa e trabalha, o nome de Guaxupé é divulgado.
 
Carreira internacional
Zé Vasconcelos já tem trabalhos expostos fora do Brasil. Em 2022, ele pretende ficar dois meses na Europa para divulgar uma escultura de cavalo que está na Alemanha. Uma das formas de divulgação é andar de carro com a escultura na carroceria.
Com a intenção de passar por quatro ou cinco países europeus, ele idealiza participar de eventos diversos para dar visibilidade à peça. Se a escultura não for vendida durante essa exposição ambulante, o cavalo de metal ficará num haras da Bélgica.
Dependendo da agenda de trabalho para o próximo ano, o escultor fará o mesmo tipo de divulgação na Flórida, EUA, onde outra escultura de cavalo está no haras de um amigo.
No momento, o maior projeto ainda é a Fórmula 1. Se o modelo exposto em Interlagos não for vendido, Zé Vasconcelos pretende levá-lo para um ou mais países do circuito da F1.  Vai depender de bons contatos e negociações. “É o meu sonho para o ano que vem”, ele diz.
Abaixo, imagem do carro reciclado em Interlagos; cavalo campolina na entrada de Entre Rios; peças expostas na galeria de Campinas; cavalo exposto na Alemanha, em 2015, e a escultura em um haras da Flórida. (Sílvio Reis)
 

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